A distribuição O-D representa os fluxos de transporte dos volumes das mercadorias entre as ofertas na origem e as demandas nos destinos, constituindo-se no principal fator do planejamento de transporte dessas mercadorias.
A localização geográfica espacial dessas origens e destinos com seus quantitativos correspondentes, assim como o custo de transporte entre eles, estabelecem a base sobre a qual podem ser obtidos resultados da distribuição a ser estimada.
Essa base, construída em GIS, contém a rede de transporte multimodal, composta por links ou trechos rodoviários, ferroviários, hidroviários, marítimos e de transbordo, através da qual são determinadas as rotas de mínimo custo de transporte entres pares O-D.
Para obter o custo de transporte de cada modal, e em cada trecho da rede, foram estabelecidas funções lineares que relacionam o custo por tonelada (R$/t) com a distância percorrida entre a origem e o destino.
Para o modal rodoviário foram levantados fretes praticados no mercado fornecidos pelo Sifreca/Esalq e pela Caramuru Alimentos que se constituíram em amostra para a realização de regressão estatística. Para o modal ferroviário foram utilizadas as curvas de teto tarifário publicados pela ANTT. Para o modal hidroviário, para o qual não foi encontrado informações suficientes para compor uma amostra estatística, foi utilizado modelo que calcula o custo de navegação (acrescidos de impostos e margem de lucro).
Para o modal marítimo com base em amostra de fretes foi estabelecida a função através de regressão múltipla, que relaciona o frete marítimo com o tempo de viagem, Trip Charter Rate, preço do petróleo, capacidade do navio. O valor dos transbordos terrestres foi estimado com base nos custos do terminal hidroviário de Pederneiras operado pela Caramuru Alimentos.
Na tabela estão os coeficientes obtidos conforme descrito, dos quais foram determinadas as retas traçadas no gráfico abaixo.
Tabela 3.1 Coeficientes de Custos de Transporte
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Modo |
Parcela Fixa |
Parcela Variável |
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R$/t |
R$/tkm |
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Rodovia |
18,69 |
0,1428 |
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Ferrovia |
30,21 |
0,0871 |
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Hidrovia Amazonas |
9,78 |
0,0268 |
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Hidrovia Tietê |
13,30 |
0,0333 |
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Transbordo |
6,00 |
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Data Base: Jun/2018

Os itens de mercado (produção, importação, exportação, consumo final e consumo intermediário) que definem a oferta e demanda atual a nível nacional, foram levantadas das estatísticas disponíveis (IBGE, Secex, Abiove, Abimilho, Única, etc.).
As projeções futuras para aqueles itens foram baseadas nas suas tendências de crescimento, sendo que o consumo final, na da população e do consumo per capta. Porém a projeção do consumo intermediário (insumo), que é interdependente de outros produtos que fazem parte de sua cadeia produtiva, foi estimada através de Modelo Matricial Insumo-Produto de Leontief.
Os quantitativos desses itens foram repartidos a nível local em cada unidade territorial (UT) ou zona de tráfego (ZT), as quais são agrupamentos compostos por estado, mesorregiões, microrregiões e municípios, convenientemente agregados. Em cada UT, através do balanço da oferta e demanda que ali ocorre, foi obtida a quantidade excedente, gerando ou quantidade ofertada ou demandada e, portanto, a definição dessas UT como origem ou destino.
Entre essas origens e esses destinos e através da rede de transporte, em GIS, foram obtidas as rotas multimodais de mínimo custo, com seu custo correspondente.
As quantidades excedentes da mercadoria, exportadas da origem e importadas pelo destino, referentes às UT, juntamente com a matriz de custo de transporte dos pares O-D, considerando o equacionamento matemático de otimização apropriado, são os elementos necessários para a aplicação de Modelo de Otimização, que no caso, determina os fluxos de carga que minimiza o custo total de transporte entre todos os pares O-D, obtendo-se com isso estimativa da distribuição ótima de cargas entre as origens e destinos.