ÁREA DE INFLUÊNCIA DO PORTO DE SANTOS

 

MERCADO DO MILHO

 

 

 

 

1      Apresentação.. 2

2      Mercado Internacional 2

2.1       Produção. 2

2.2       Rendimento. 3

2.3       Exportação e Importação. 3

2.4       Consumo. 5

3      Mercado Interno.. 6

3.1       Evolução da Produção e Produtividade. 6

3.2       Consumo. 8

3.3       Exportação. 11

3.4       Projeção do Crescimento da Produção. 12

3.5       Distribuição Espacial do Mercado. 13

3.6       Distribuição entre origem e destino. 17

4      Cadeia Produtiva. 20


 

1          Apresentação

 

Este relatório faz parte da análise do mercado do porto de Santos das mercadorias, a granel de origem vegetal, exportadas através desse porto: grãos e farelos de soja, milho e açúcar.

Nele é abordado,especificamente, tanto o mercado interno brasileiro como o mercado internacional do Milho.

 

 

2          Mercado Internacional

 

2.1       Produção

 

O milho é, hoje, a segunda maior cultura no mundo, perdendo apenas para o trigo. A produção do milho representa cerca de 30% do total de grãos produzidos, sendo de destacada importância na alimentação humana e animal. Trata-se de uma planta com grande capacidade produtiva, de alta resistência orgânica e utilização bastante diversificada sob forma in natura e industrializada.

No Brasil, é o grão de maior volume de produção, tendo representado nos últimos anos, aproximadamente, 43% do total de grãos. É o principal componente da ração animal, participando com 50% do volume de composição, em média, e 70% do total dos custos.

Com o crescimento do consumo de carnes nos últimos anos, especialmente de frango, a procura pelo milho também vem crescendo.

Do ponto de vista social, a importância do milho está no fato de ser uma cultura predominantemente de pequenas propriedades.

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a produção mundial de milho da safra 2007/08 está estimada em 777 milhões de toneladas, 40% maior que o volume obtido na produção da safra 1994/95 (1995/96), quando foram colhidas 556 (500) milhões de toneladas.

Os Estados Unidos são os maiores produtores, com estimativa de 326,15 milhões de toneladas, volume 22% maior que 267,6 milhões de toneladas colhidas na safra 2005/06, cultivada em área de 34,57 milhões de hectares.

Os EUA respondem por 42% da produção mundial de milho, seguido pela China (19%) com produção estimada em 148 milhões de toneladas, Brasil (6,4%) 52 milhões de toneladas e Argentina e México (3% cada) empatados com projeção de 24 milhões de toneladas, cada. Esses quatro últimos, na safra 2005/06, produziram respectivamente 145,6, 42,6, 14,4 e 21,8 milhões de toneladas

No período 1994/2006 a produção de China, Brasil e Argentina apresentaram crescimento médio da mesma ordem de 3% anuais, enquanto os EUA tiveram crescimento médio modesto de 0,4% anuais, este porém, se recuperando nos últimos 5 anos, para um patamar de 4% anuais, praticamente igual aos de Brasil e China.

 


Principais Produtores de Milho no Mundo – 2002-2006

(Mil Toneladas)

País

2002

2003

2004

2005

2006

Estados Unidos

227.767

256.278

299.914

282.311

267.598

China

121.500

116.001

130.438

139.502

145.625

Brasil

35.933

48.327

41.788

35.113

42.632

México

19.298

20.701

21.670

18.012

21.765

Índia

11.150

11.152

14.984

14.172

14.710

Argentina

14.712

15.045

14.951

20.483

14.446

França

16.440

11.991

16.372

13.688

12.902

Indonésia

9.654

10.886

11.225

12.524

11.611

Itália

10.554

8.702

11.368

10.428

9.671

Canadá

8.999

9.587

8.836

9.460

9.268

Fonte: FAO

 

 

A evolução da produção dos principais produtores de milho do mundo, no período 1994/2006 é apresentada na tabela abaixo.

 

 

Evolução da Produção Mundial de Milho

 

País

Produção

(Mil Ton.)

Participação (%)

Taxa de crescimento (% aa)

1994

2006

1994

2006

1994/2006

Estados Unidos

256.600

267.598

46,2%

38,5%

0,4%

China

104.000

145.625

18,7%

20,9%

2,8%

Brasil

30.400

42.632

5,5%

6,1%

2,9%

Argentina

10.500

14.446

1,9%

2,1%

2,7%

Demais paises

154.400

225.546

27,8%

32,4%

3,2%

Mundo

555.900

695.847

100,0%

100,0%

1,9%

 

 

 

2.2       Rendimento

 

Existe uma grande diferença na produtividade conseguida pelos diversos países produtores desse cereal. Enquanto nos países da Europa e América do Norte é atingida uma produtividade elevada entre 8 e 10 toneladas por hectare, outros, como o Brasil, essa cifra está em torno de 3 ton/ha. Entre os países que conseguem rendimento mediano, entre 5 e 6 ton/ha, estão China e Argentina.

Embora os custos de produção por hectare americanos sejam, aproximadamente, duas vezes superiores aos praticados nos estados do Centro-Sul do Brasil, mas como o rendimento por hectare é 3 vezes maior, significa que o custo por tonelada é menor lá do que aqui.

 

2.3       Exportação e Importação

 

O comércio mundial desse cereal, entre 2001 e 2005, situou-se em média próximo de 83 milhões de toneladas anuais, dos quais 56% foram exportados pelos EUA, representando o maior fornecedor mundial. Argentina, China e França aparecem em seguida porém com pequena participação na faixa de 8 a 14% cada.

Japão é o país com maior importação, comprando 20% da quantidade comercializada mundialmente, seguida da Coréia que importa 10% do total importado. China, Egito e México importam em torno de 5 a 6% cada.

A China aparece como exportador e importador, tendo como conseqüência uma exportação líquida média de 5% no período considerado.

 

 

Principais Países Exportadores de Milho 2001-2005

(Mil Toneladas)

 

Países

2001

2002

2003

2004

2005

Média

Participação (%)

Estados Unidos

48.408

48.425

43.811

49.029

45.601

47.055

56,5%

Argentina

10.934

9.484

11.913

10.692

14.602

11.525

13,8%

China

6.048

11.679

16.421

2.318

8.611

9.016

10,8%

França

7.046

8.378

7.081

6.156

7.379

7.208

8,7%

Brasil

5.629

2.747

3.566

5.031

1.070

3.609

4,3%

Hungria

1.569

2.125

1.311

1.237

1.813

1.611

1,9%

Ucrania

353

497

943

1.234

2.796

1.164

1,4%

Africa do Sul

673

773

799

480

2.176

980

1,2%

Alemanha

605

671

859

952

882

794

1,0%

Servia e Montenegro

18

336

186

210

687

287

0,3%

Total

81.283

85.113

86.890

77.340

85.616

83.248

100,0%

Fonte: FAO

 

 

Principais Países Importadores de Milho - 2001-2005

(Mil Toneladas)

 

Países

2001

2002

2003

2004

2005

Média

Participação (%)

Japão

16.222

16.421

17.064

16.479

16.656

16.568

19,9%

República da Coréia

8.482

9.113

8.782

8.371

8.533

8.656

10,4%

México

6.174

5.513

5.764

5.519

5.744

5.743

6,9%

Egito

4.797

4.721

4.053

2.429

5.448

4.290

5,2%

China

5.318

5.119

5.151

4.942

5.079

5.122

6,2%

Espanha

2.735

3.504

3.886

2.751

4.272

3.430

4,1%

Malásia

1.975

2.408

3.486

2.978

2.571

2.683

3,2%

Colômbia

1.770

2.099

2.032

1.909

2.465

2.055

2,5%

Argélia

1.679

1.878

1.544

1.790

2.377

1.854

2,2%

República do Irã

1.695

1.326

3.090

1.764

2.241

2.023

2,4%

Demais paises

30.437

33.013

32.037

28.407

30.229

30.825

37,0%

Mundo

81.283

85.113

86.890

77.340

85.616

83.248

100,0%

 

 

 


2.4       Consumo

 

Segundo estudo elaborado pelo IEA, a agroenergia está mudando o perfil do mercado internacional de commodities. Um exemplo é a demanda crescente por milho para a produção de etanol que vem provocando aumentos significativos dos preços do grão nas bolsas internacionais.

O desvio de parte da produção de milho dos Estados Unidos para a produção do etanol e o crescente aumento das importações do grão por parte da China explicam o fato de os preços futuros do milho terem registrado no final de fevereiro de 2007, o maior valor dos últimos dez anos. Em 2006, os preços do milho, no mercado internacional, subiram 89,6%.

Estão em operação em solo norte-americano 111 biorrefinarias de etanol e mais 78 encontram-se em fase de construção, de acordo com a Associação Industrial de Combustíveis Renováveis. Para suprir a demanda americana, os agricultores terão de plantar até 2010 - quase 13% a mais que a área atual, segundo o próprio USDA.

O crescimento do setor implica que proporção cada vez maior da safra mundial de milho seja usada para alimentar as imensas usinas que produzem etanol. De acordo com algumas estimativas, as usinas de etanol estarão consumindo até metade do suprimento nacional de milho norte-americano, dentro de poucos anos.

O consumo de milho para a produção de álcool deve alcançar 80,6 milhões de toneladas em 2007/08, 49% mais do que no ciclo anterior, segundo o USDA. Isso significa um forte aumento no uso doméstico no país, de 240 milhões de toneladas em 2006/07 para 262,1 milhões de toneladas em 2007/08.

Contribui para a falta desse cereal para abastecimento do mercado mundial o fato de que a produção chinesa de milho não será suficiente para garantir o crescente aumento da demanda no mercado interno. Segundo dados do USDA, a China produziu 143 milhões de toneladas de milho em 2006/07 e consumiu 141 milhões de toneladas.

Em 2006 a capacidade de processamento de milho da indústria chinesa foi de 70 milhões de toneladas, um crescimento de 40%. Para os próximos anos, a previsão é de que 75 milhões de toneladas de milho sejam processadas. Com o crescimento do milho na indústria de ração e alimentos e a disposição em também usar o milho para a produção de etanol, os chineses deverão, passar de exportadores para importadores de milho.

Entre os anos-safras de 2002/03 e 2006/07, o consumo mundial esteve bem próximo à produção mundial, conforme tabela abaixo.

 

 

Balanço Mundial de Milho

(em milhão de toneladas) 

 

Descrição

2002/03

2003/04

2004/05

2005/06

2006/07

Produção

603,0

625,8

712,6

695,2

695,8

Consumo

627,3

647,8

685,2

702,3

728,2

Estoque final

125,8

103,9

131,3

124,2

91,8

Exportação/Importação

78,5

79,2

76,6

83,1

85,1

Fonte: USDA

 

Para a safra 2007/08, o consumo mundial do grão é estimado em 769,7 milhões de toneladas, com os estoques mundiais situando próximo a 108,4 milhões de toneladas.

 

 

 

 


3          Mercado Interno

 

3.1       Evolução da Produção e Produtividade

 

O Brasil, em 2009, produziu 59 milhões de toneladas de milho, o segundo em volume na produção de grãos agrícolas. Desse total, o estado do Paraná representou 21,8%, Mato Grosso 15,9%, Minas Gerais, 12,8%, Goiás e Rio Grande do Sul com aproximadamente 9%, Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina entre 6% e 8% cada um.

No período de 1995 a 2009, o crescimento anual dessa produção foi de apenas 2,5%. Nesse período, os destaques foram Mato Grosso que teve sua produção elevada de 1,2 para 8 milhões de toneladas, crescendo com taxa anual de 14%, seguido da Bahia com 8% e Minas e Mato Grosso do Sul , que apresentaram crescimento anual em torno de 4%. Enquanto isso Rio Grande do Sul teve redução na sua produção, caindo de 5,9 para 4,2 milhões de toneladas (taxa anual negativa de 2,4%).  Os estados do sul brasileiro se caracterizam por apresentarem grandes irregularidades nas quantidades produzidas, enquanto nos estados do centro-oeste isso não acontece.

O Gráfico a seguir apresenta os dados da evolução histórica da produção de milho nos principais estados produtores.

 

 

Produção Estadual de Milho

 

Estado

(Mil Toneladas)

Participação             (%)

Taxa de Crescimento   (% aa)

1995

2009

1995

2009

1995/2009

Paraná

8.988,2

11.132,9

24,8%

21,8%

1,5%

Mato Grosso

1.226,2

8.091,1

3,4%

15,9%

14,4%

Minas Gerais

3.744,5

6.536,5

10,3%

12,8%

4,1%

Goiás

3.574,4

4.937,8

9,9%

9,7%

2,5%

Rio Grande do Sul

5.935,7

4.249,0

16,4%

8,3%

-2,4%

São Paulo

4.175,3

4.281,0

11,5%

8,4%

0,2%

Santa Catarina

3.651,2

3.265,2

10,1%

6,4%

-0,8%

Mato Grosso do Sul

1.435,2

2.181,4

4,0%

4,3%

3,0%

Bahia

675,4

2.067,8

1,9%

4,1%

8,3%

Ceará

469,2

534,3

1,3%

1,0%

0,9%

Pará

385,7

552,1

1,1%

1,1%

2,6%

Sergipe

67,0

703,3

0,2%

1,4%

18,3%

Maranhão

361,1

502,5

1,0%

1,0%

2,4%

Demais Estados

1.578,1

2.006,5

4,4%

3,9%

1,3%

Brasil

36.267,0

59.019,7

100,0%

100,0%

2,5%

 

 


 

 


 

A cultura do milho no Brasil conseguiu, em 2004, produtividade média de 3,26 toneladas/ha, porém com marcantes disparidades regionais. Enquanto nos estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste alcançam elevados valores, como é o caso de Goiás, com 4,8 toneladas/ha, Paraná com 4,5 t/ha, Minas Gerais e São Paulo em torno de 4,0 t/ha, nos estados do Norte e Nordeste, essa produtividade é muito baixa, não passando de 2,0 t/ha encontrada em Tocantins, embora melhorando de 1995 para 2004.

Normalmente, as regiões com baixa produtividade destinam sua produção ao consumo local, não sendo competitiva no atendimento inter-regional. Já nas regiões com maior produtividade, a produção do milho está normalmente associada à produção da soja, aproveitando a infra-estrutura desenvolvida para essa leguminosa e concorre no mercado regional e, esporadicamente, também na exportação. Nas regiões com maior produtividade e elevada produção é comum surgir grandes empreendimentos ligados à avicultura, à suinocultura e mesmo, à pecuária bovina, capazes de gerar grandes excedentes exportáveis.

 

 

3.2       Consumo

 

No mercado interno o milho é consumido principalmente para alimentação animal, ou diretamente pelos setores de suinocultura, avicultura e bovinocultura, ou indiretamente através dos fabricantes de ração animal, e também para industrialização de alimentação humana.

Em 2005, foram consumidos 38,7 milhões de toneladas de milho, desses, o consumo animal representou 87% da demanda interna desse produto, outros 10,4% entraram como matéria prima na indústria alimentícia e uma pequena parcela consumido diretamente pela população.

No consumo animal, a maior parcela é utilizada como matéria prima na indústria de rações, na proporção de 63% de sua composição, conforme informações do Sindirações (Sindicato das Industrias de Rações). Ainda segundo essa entidade, 70% da produção brasileira de rações animais é feita pelas integrações de suínos e aves e outros 30% por empresas dedicadas exclusivamente à alimentação, cuja quantidade total produzida atingiu 59 milhões de toneladas em 2008. O consumo da avicultura brasileira é responsável por mais da metade do volume produzido, 33 milhões de toneladas, sendo 28 milhões apenas para os frangos de corte, sustentado pelo forte consumo de aves, tanto no Brasil como no mundo. O consumo da suinocultura chegou a 15,3 milhões de toneladas, provocado pelo bom volume de exportações e o crescimento no consumo interno deste tipo de carne. O consumo no setor de bovinos está estimado em 7,3 milhões de toneladas, somando a área de carnes e o gado leiteiro.

 

 

Brasil - Estimativa do Consumo por Segmento

(Mil Toneladas)

 

Segmento

2001

2002

2003

2004

2005

Participação (%)

2001

2005

Consumo Animal

26.366

27.814

27.359

28.793

33.680

72,2%

87,0%

Avicultura

13.479

14.500

15.427

16.162

19.309

36,9%

49,9%

Suinocultura

8.587

8.930

8.471

8.852

11.236

23,5%

29,0%

Pecuaria

2.772

2.841

1.911

2.198

2.520

7,6%

6,5%

Outros Animais

1.528

1.543

1.550

1.581

615

4,2%

1,6%

Consumo Indústrial

4.050

4.090

4.152

4.256

4.044

11,1%

10,4%

Consumo Humano

1.505

1.514

1.530

1.568

690

4,1%

1,8%

Perdas/Sementes

998

913

1.660

1.429

296

2,7%

0,8%

Outros   

3.622

3.550

4.809

4.132

            -

9,9%

            -

Total Consumo Mercado Interno

36.541

37.881

39.510

40.178

38.710

100,0%

100,0%

Fonte: Safras & Mercado

 

 


 

Fontes de Origem das Matérias-prima da Produção de Rações

 

Matéria-prima

2003

2008

Participação (%)

(Mil Ton.)

Milho e Outros Cereais in Natura

63,0%

37.170

Farelo de Soja

20,0%

11.800

Sub-produtos de Origem Vegetal

10,4%

6.136

Sub-produtos de Origem Animal

4,0%

2.360

Minerais

2,3%

1.357

Vitaminas e Amino-ácidos

0,3%

177

Total

100,0%

59.000

Fonte: Sindirações

 

 

 

Consumo de Rações por Setores Consumidores

2008

 

Setores consumidores

(Mil ton.)

Participação (%)

Avicultura

33.000

55,9%

Suinocultura

15.300

25,9%

Bovinocultura

7.300

12,4%

Outros

3.400

5,8%

Total

59.000

100,0%

Fonte: Sindirações

 

 

 

Da parcela do milho destinada à indústria alimentícia, 26% é processada no estado de São Paulo, 23% no Paraná, 15% em Goiás e 6% em Minas Gerais. Nos últimos anos as indústrias de Goiás foram as que apresentaram maior crescimento no processamento de milho.

 

 

Milho - Consumo da Indústria Moageira - por Estados

(Mil Toneladas/ano)

 

Estado

2002/03

2003/04

2004/05

2005/06

2006/07

2007/08*

São Paulo

1.000

1.150

1.200

1.050

1.050

1.120

Paraná

1.100

1.100

1.100

960

950

1.020

Goiás

280

521

570

580

620

640

Minas Gerais

240

230

230

230

250

250

Rio Grande do Sul

25

30

30

30

35

35

Santa Catarina

15

25

25

26

30

30

Mato Grosso do Sul

21

15

15

16

20

20

Espírito Santo/Rio de Janeiro

5

5

5

6

7

7

Mato Grosso 

5

5

5

6

7

7

Norte/Nordeste

1.055

1.140

1.240

1.140

1.190

1.240

Brasil

3.746

4.221

4.420

4.044

4.159

4.369

 

 

 

 

Na cadeia do milho, o consumo humano de carne é o fator de maior peso, pois sua dimensão reflete na quantidade consumida de suas matérias primas, entre elas principalmente esse grão.

A dimensão do consumo alimentar da população brasileira depende, não só do tamanho dessa população, mas também do consumo per capta. Embora o consumo per capta das carnes de bovinos não tenham crescido entre os anos de 1990 a 2007, permanecendo em 36 kg/hab/ano, as carnes de frangos e suínos tiveram aumento expressivo nesse coeficiente, passando, as de frangos, de 14 kg/hab/ano para 38 kg/hab/ano, e as de suínos de 7 kg/hab/ano para 13 kg/hab/ano, que representam crescimento anual de 5,9% e 3,5% respectivamente, no período, muito embora, nos últimos anos esse crescimento tenha se atenuado.

 

Consumo per capta de Carnes

 

Anos

Frangos

Bovinos

Suínos

(Kg/hab/ano)

1990

14,2

36,1

7,2

1995

23,3

39,3

9,2

2000

29,9

36,5

10,9

2005

35,4

36,3

11,3

2007

37,8

36,2

13,0

Taxa de Crescimento (% aa)

1990-2007

5,9%

0,0%

3,5%

2000-2007

3,4%

-0,1%

2,5%

Fonte: CNPC/ABEF/ABIPECS/UBA

 


 

3.3       Exportação

 

Nos últimos anos o Brasil tem produzido excedentes de milho para exportação. No entanto, depende ainda de importações para atender demandas localizadas. Entre 2001 e 2009, foram exportadas em média 5,2 milhões de toneladas anuais desse grão, com grandes variações. Nesses anos as importações alcançaram em média 400 mil toneladas anuais.

Em 2001, praticamente toda exportação de milho (75%) ocorreu pelo porto de Paranaguá, situação que mudou em 2009, com o porto de Santos assumindo a maior participação, de 46%, caindo a do porto de Paranaguá para 24% das exportações brasileiras.

 

 

Exportação de Milho - Porto

 

PORTO

(Mil Toneladas)

Participação (%)

2001

2009

Média

2001

2009

Santos

231,8

3.567,8

1.033,6

4,1%

45,9%

Paranaguá

4.206,5

1.898,0

2.807,2

74,7%

24,4%

Vitória

42,0

886,1

348,7

0,7%

11,4%

São Francisco do Sul

210,1

696,6

576,4

3,7%

9,0%

Manaus

0,0

313,4

150,1

0,0%

4,0%

Santarém

0,0

233,8

49,5

0,0%

3,0%

Rio Grande

934,6

168,1

252,6

16,6%

2,2%

Foz do Iguaçú

1,3

0,1

4,9

0,0%

0,0%

Demais Portos

2,6

1,0

11,8

0,0%

0,0%

Total

5.629,0

7.765,0

5.234,8

100,0%

100,0%

 

 

Os maiores importadores do milho brasileiro são os países da Europa, que importaram em 2008, 63% dos 6,4 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil.

 

Exportação de Milho por Pais de Destino

2008

 

Região de Destino

(Mil Ton.)

Participação (%)

Europa Setentrional

2.098

32,9%

Europa Meridional

1.884

29,6%

Oriente Médio

989

15,5%

Ásia Meridional

599

9,4%

Ásia Oriental

319

5,0%

África Setentrional

317

5,0%

América Meridional

147

2,3%

África Central

8

0,1%

Austrália

7

0,1%

Total

6.368

100,0%

 

 

 

 

3.4       Projeção do Crescimento da Produção

 

Na projeção da produção de milho foram aqui adotadas as mesmas considerações utilizadas na da soja, resultando em 68 milhões de toneladas em 2018, quando o estado do Paraná participará com 26%, Mato Grosso com 17% e Minas Gerais com 13%.

 

 

 

 

 


3.5       Distribuição Espacial do Mercado

 

A distribuição espacial do mercado do milho depende da localização espacial de sua oferta, representada pela produção comercializada e importações, e de sua demanda, representada pelas exportações, consumo final e consumo intermediário, este último compreendendo a utilização como matéria prima para a indústria alimentícia, como ração alimentar de aves, suínos, caprinos, ovinos e bovinos de leite.

Considerando um agrupamento de 31 unidades territoriais, o balanço oferta-demanda nessas unidades territoriais para o ano de 2008 gerou excedentes em cada uma delas, conforme mostrado na tabela e ilustrado nas figuras abaixo apresentadas.

 

 

Mercado do Milho - Brasil – 2008

 

(Mil Toneladas)

Cód. UT

Pólo Regional da UT

Mesoregião

Produção Comerc.

Impor-tação

Consumo Final

Expor-tação

Consumo Intermed.

Oferta

Demanda

Excedentes

Oferta

Demanda

AM3409

Manaus

Centro Amazonense

35

0

16

443

153

35

612

0

576

BA5342

Salvador

Metropolitana de Salvador

1.581

0

57

24

2.626

1.581

2.708

0

1.127

ES2391

Vitória

Central Espírito-santense

96

0

74

797

795

96

1.665

0

1.569

GO2221

Goiânia

Centro Goiano

1.549

0

28

0

928

1.549

956

593

0

GO2276

Rio Verde

Sul Goiano

1.950

0

2

0

814

1.950

816

1.134

0

GO2303

Itumbiara

Sul Goiano

1.055

0

3

0

696

1.055

699

356

0

MA3763

São Luís

Norte Maranhense

403

0

22

0

680

403

702

0

299

MG0015

Paracatu

Noroeste de Minas

1.224

0

19

0

648

1.224

666

558

0

MG0198

Uberlândia

Triangulo Mineiro

4.324

0

59

0

3.031

4.324

3.090

1.234

0

MS1921

Chapadão do Sul

Leste Mato Grosso do Sul

674

0

1

0

109

674

110

564

0

MS1949

Dourados

Sudoeste M. Grosso do Sul

2.411

46

8

0

709

2.457

717

1.739

0

MT1995

Campo N. do Parecis

Norte Mato-grossense

527

0

0

0

5

527

6

522

0

MT1997

Comodoro

Norte Mato-grossense

780

0

1

0

22

780

23

757

0

MT2006

Lucas do Rio Verde

Norte Mato-grossense

2.780

0

1

0

445

2.780

446

2.334

0

MT2017

Sinop

Norte Mato-grossense

609

0

2

0

136

609

138

471

0

MT2097

Rondonópolis

Sudeste Mato-grossense

1.843

0

8

0

832

1.843

840

1.003

0

PA3481

Belém

Metropolitana de Belém

524

0

33

0

940

524

973

0

449

PE4938

Recife (1)

Metropolitana de Recife

1.461

5

124

0

4.853

1.466

4.977

0

3.511

PI4006

Teresina

Centro-Norte Piauiense

268

0

11

0

1.081

268

1.092

0

824

PR1638

Londrina

Norte Central Paranaense

4.880

0

14

0

2.868

4.880

2.882

1.998

0

PR1723

Ponta Grossa (2)

Centro Oriental Paranaense

4.505

0

21

1.918

1.092

4.505

3.031

1.473

0

PR1751

Cascavel

Oeste Paranaense

3.718

708

7

0

2.947

4.426

2.953

1.472

0

RO3298

Porto Velho

Madeira-Guaporé

308

0

8

1

326

308

335

0

27

RS2971

Passo Fundo

Noroeste Rio-grandense

3.753

1

34

0

3.910

3.754

3.944

0

191

RS3244

Bagé (3)

Sudoeste Rio-grandense

638

0

9

347

1.050

638

1.405

0

767

SC2538

Chapecó

Oeste Catarinense

2.122

6

4

0

3.698

2.128

3.702

0

1.574

SC2708

Blumenau (4)

Vale do Itajaí

1.309

0

20

688

1.520

1.309

2.228

0

918

SP1016

Ribeirão Preto

Ribeirão Preto

708

0

19

0

1.270

708

1.289

0

581

SP1194

Campinas (5)

Campinas

1.793

0

132

2.216

3.472

1.793

5.820

0

4.027

SP1291

Assis

Assis

1.428

0

16

0

1.181

1.428

1.197

231

0

TO3710

Palmas

Oriental do Tocantins

193

0

7

0

180

193

186

7

0

Total

49.449

766

760

6.434

43.017

50.215

50.208

16.446

16.440

(1)     – Inclui os demais estados do NE.

(2)     – Inclui o porto de Paranaguá.

(3)     – Inclui o porto de Rio Grande.

(4)     – Inclui o porto de S. Francisco do Sul

(5)     – Inclui o porto de Santos

 

 


 

 

Consumo Intermediário

 

Consumo Final

 

Importação

 

Produção

 

Exportação

 

MERCADO DO MILHO - 2008

 

 

 

 

 


 

 

EXCEDENTES DO MILHO

 

Demanda

 

Oferta

 

 

 

 


 

 

O consumo intermediário do milho, como matéria prima, segundo os setores consumidores considerou as informações municipais do IBGE sobre rebanhos da pecuária (aves, suínos, leite, etc.) tornando o consumo de milho proporcional a quantidade de cabeças e para a indústria de alimentos, as informações da ABIMILHO. A distribuição desse consumo pelas UT estão dispostas na tabela a seguir.

 

 

Consumo Intermediário de Milho

 

(Mil Toneladas)

Cód. UT

Pólo Regional da UT

Indústria Alimentos

Avicultura

Bovinocultura Leite

Suinocultura

Total

AM3409

Manaus

0

85

4

64

153

BA5342

Salvador

219

573

91

1.743

2.626

ES2391

Vitória

8

573

88

125

795

GO2221

Goiânia

0

626

118

185

928

GO2276

Rio Verde

242

362

47

162

814

GO2303

Itumbiara

439

85

81

91

696

MA3763

São Luís

0

202

20

458

680

MG0015

Paracatu

0

208

206

234

648

MG0198

Uberlândia

273

1.476

472

810

3.031

MS1921

Chapadão do Sul

0

29

10

70

109

MS1949

Dourados

20

400

34

255

709

MT1995

Campo Novo do Parecis

0

1

0

4

5

MT1997

Comodoro

0

5

3

14

22

MT2006

Lucas do Rio Verde

0

275

1

170

445

MT2017

Sinop

0

45

14

77

136

MT2097

Rondonópolis

204

383

44

201

832

PA3481

Belém

406

236

53

244

940

PE4938

Recife

711

1.536

199

2.407

4.853

PI4006

Teresina

0

185

10

886

1.081

PR1638

Londrina

1.199

1.403

61

205

2.868

PR1723

Ponta Grossa

0

623

60

409

1.092

PR1751

Cascavel

0

2.259

98

590

2.947

RO3298

Porto Velho

0

114

79

134

326

RS2971

Passo Fundo

30

2.395

253

1.232

3.910

RS3244

Bagé

0

130

43

877

1.050

SC2538

Chapecó

0

2.216

123

1.359

3.698

SC2708

Blumenau

25

982

45

468

1.520

SP1016

Ribeirão Preto

0

1.115

49

105

1.270

SP1194

Campinas

864

2.327

50

231

3.472

SP1291

Assis

248

724

50

158

1.181

TO3710

Palmas

0

77

20

82

180

Total

4.889

21.652

2.427

14.050

43.018

 

 


 

3.6       Distribuição entre origem e destino

 

A obtenção da distribuição do milho entre a sua oferta na origem e sua demanda no destino considerou a mesma metodologia empregada para a soja, já descrita anteriormente, que utiliza as quantidades excedentes de cada UT. Deve ser observado que fluxos com origem e destino na mesma UT não aparecem nessa tabela, pois a distribuição é realizada com base nos excedentes. Enquadram-se nesse caso o fluxo de exportação com origem na UT com pólo regional em Ponta Grossa (PR) e destino ao porto de Paranaguá que também pertence àquela UT e também o fluxo com origem na UT com pólo regional em Bagé (RS) e destino ao porto de Rio Grande ambos pertencentes a mesma UT.

A distribuição resultante, que gera fluxos de transporte, é apresentada na tabela e ilustrada na figura mostradas a seguir.

 

 

 


 

 

 

FLUXOS O-D DO MILHO

 

Linhas O-D

 

Dimensões do Fluxo

 

 

 

 

 

 


Distribuição entre Origem e Destino do Milho

 

                                                                                                                                                                                                    (Mil Toneladas)

Origem

Destino

AM3409

BA5342

ES2391

MA3763

PA3481

PE4938

PI4006

RO3298

RS2971

RS3244

SC2538

SC2708

SP1016

SP1194

Cod. UT

Pólo Regional da UT

Manaus

Salvador

Vitória

São Luís

Belém

Recife (1)

Teresina

Porto Velho

Passo Fundo

Bagé     (2)

Chapecó

Blumenau (3)

Ribeirão Preto

Campinas (4)

GO2221

Goiânia

0

0

0

0

0

0

593

0

0

0

0

0

0

0

GO2276

Rio Verde

0

0

37

0

0

1.079

0

0

0

0

0

0

18

0

GO2303

Itumbiara

0

0

141

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

215

MG0015

Paracatu

0

558

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

MG0198

Uberlândia

0

0

895

0

0

296

0

0

0

0

0

0

0

43

MS1921

Chapadão do Sul

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

563

0

MS1949

Dourados

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

1.061

70

0

608

MT1995

Campo N. do Parecis

296

0

0

226

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

MT1997

Comodoro

281

0

0

0

449

0

0

27

0

0

0

0

0

0

MT2006

Lucas do Rio Verde

0

569

496

0

0

0

0

0

0

0

0

11

0

1.258

MT2017

Sinop

0

0

0

0

0

247

224

0

0

0

0

0

0

0

MT2097

Rondonópolis

0

0

0

73

0

463

0

0

0

0

0

0

0

466

PR1638

Londrina

0

0

0

0

0

1.293

0

0

0

0

0

0

0

705

PR1723

Ponta Grossa

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

831

0

642

PR1751

Cascavel

0

0

0

0

0

0

0

0

191

767

513

0

0

0

SP1291

Assis

0

0

0

0

0

134

0

0

0

0

0

7

0

91

TO3710

Palmas

0

0

0

0

0

0

7

0

0

0

0

0

0

0

(1)          – Inclui os demais estados do NE.

(2)          – Inclui o porto de Rio Grande.

(3)          – Inclui o porto de S. Francisco do Sul

(4)          – Inclui o porto de Santos


 

 

4          Cadeia Produtiva

 

Grãos de Soja e de Milho são considerados oleaginosos, utilizados como matéria-prima (consumo intermediário) na industrialização de alimentos, como os óleos vegetais e outros produtos alimentícios, gerando sub-produtos que entram na composição da alimentação animal, diretamente ou através da fabricação de rações. Óleos vegetais, produtos alimentícios diversos e as carnes, produtos do abate dos animais, são ofertados nos mercados consumidores das populações, tanto nacionais (consumo final) como internacionais (exportações).

Constitui-se, dessa forma, uma cadeia produtiva, com a produção primária dependente do consumo final dos alimentos mencionados.

Com base nas informações de mercado (produção, consumo intermediário, exportação, consumo final) já anteriormente abordadas nesse documento, essa cadeia pode ser dimensionada, a qual é apresentada no diagrama a seguir.